<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399</id><updated>2011-07-07T23:35:14.037-03:00</updated><title type='text'>VIVA TODA VIDA</title><subtitle type='html'>CONTOS &amp;amp; ARTIGOS</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-8835486532512986642</id><published>2010-04-21T19:11:00.002-03:00</published><updated>2010-04-21T19:17:10.713-03:00</updated><title type='text'>O Círculo Avermelhado</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Seis e meia da manhã. O despertador tocou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tomar meu café da manhã, fui fazer a barba e escovar os dentes. Quando olhei para o espelho, tomei o maior susto.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Que estranho!!&lt;/span&gt; - Pensei comigo mesmo. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Não havia notado aquela marca em minha testa antes!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um círculo perfeito, bem no meio da testa. A pele, na região do círculo, estava um pouco avermelhada, como se estivesse irritada, acentuando a circunferência.&lt;br /&gt;Lavei a mancha, raspei, esfreguei...e nada, nada aconteceu. O círculo avermelhado continuava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Meu Deus! Como faria para ir trabalhar?&lt;/span&gt; - Seria bom eu já ir preparando algumas respostas-padrão, pois, com toda a certeza, teria que responder a uma infinidade de perguntas sobre aquela marca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chato do Teodoro vai me atormentar o dia inteiro. Para ele, vou dizer que sonhei com a marca e que ela se tratava de algo espiritual, do tipo “o escolhido” e que, quando acordei...SHAZAM!!!...a marca já estava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Ihhhh...as meninas da recepção!!! Nossa, vou receber um bombardeio de perguntas. Já estou até vendo: “Mateus, o que é isso em sua testa??”, ou então “Isso é que é vontade de ser diferente, eihn, Mateus!!” e, para finalizar, “Ei, Mateus, não tinha um lugarzinho melhor para fazer uma tatuagem???”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior de tudo é que as meninas da recepção sempre falam, todas, ao mesmo tempo e eu não consigo entender as três falando juntas. Para dizer a verdade, é claro que eu entendo mas, para irritá-las um pouquinho, eu sempre faço minha cara especial de interrogação e peço para que repitam “isolada” e “pausadamente” as perguntas. Nossa, como isso mexe com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Putz, e o ônibus?&lt;/span&gt; - Lembrei-me do ônibus que iria ter que pegar. Todo mundo iria olhar pra mim. Vai ter aquele cara que não vai conseguir disfarçar, vai ficar encarando e só depois de um tempão, sem graça, vai desviar o olhar. Também vai ter aquele que vai olhar apenas quando eu estiver distraído ou quando eu não estiver olhando para a direção dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- E as crianças?&lt;/span&gt; – Pensei. Comecei a imaginar os dois tipos possíveis: as santinhas e as encapetadas. As santinhas são as que vão olhar, não vão entender e vão perguntar para o pai ou para a mãe: “o que era aquilo?”. Evidentemente, quando estiverem na parte do “aquilo”, estarão com o dedo apontado diretamente na direção da minha testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom...tem também o outro tipo. Pois bem... as encapetadas também irão olhar, também não irão entender e também irão perguntar para o pai ou para a mãe “o que era aquilo” e com o mesmo dedo apontado. A diferença entre as primeiras crianças e estas é que, depois da explicação do pai ou da mãe, as santinhas irão recolher o dedo imediatamente e parar de olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Engraçado!! Não me preocupei nenhum pouquinho com a Cláudia.&lt;/span&gt; - Tinha certeza de que ela iria achar a marca “uma gracinha”. Isso mesmo: ela iria chamar a marca de “marquinha” e ainda diria que ela era “charmosa”. Agora, pensando nisso, também acho que a marca iria ficar linda na testa da Claudinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não adiantava ficar pensando...tinha que ir para o trabalho e já estava super atrasado. Pensei em não fazer a barba naquele dia. Seria uma estratégia para desviar a atenção das pessoas. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Não!!! Péssima idéia. Iriam pensar que além de marcado eu ainda era desleixado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Já sei, vou usar o cabelo prá frente, ao invés de penteá-lo para traz, como sempre faço. Vamos ver como é que ele fica.&lt;br /&gt;- Uau! Quase tampou o círculo inteiro! Puxa, que alívio!!!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;10 minutos depois, ao entrar no ônibus...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Ei, que engraçado! Parece que todo mundo resolveu pentear o cabelo prá frente hoje!!!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-8835486532512986642?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/8835486532512986642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=8835486532512986642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/8835486532512986642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/8835486532512986642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2010/04/o-circulo-avermelhado.html' title='O Círculo Avermelhado'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-786156462722460891</id><published>2010-04-21T19:07:00.002-03:00</published><updated>2010-04-21T19:10:57.969-03:00</updated><title type='text'>Quando a xícara de chá foi ao chão</title><content type='html'>Quando a xícara de chá foi ao chão, nem todos se viraram imediatamente para olhar. &lt;br /&gt;Ricardo, o filho mais velho de Seu Gregório, entrava na cozinha no exato momento em que seu pai tentava pegar a xícara de chá com suas mãos trêmulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo pôde ver quando as velhas mãos perderam-se da xícara, deixando-a cair, banhando todo o piso. O barulho da louça quebrando, se espatifando no piso da cozinha, interrompeu a animada conversa entre Dna Yara e Tamiris, esposa e filha de Seu Gregório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas pararam e olharam, primeiro para o chão molhado e salpicado pela louça, depois para o velho homem sentado no banquinho branco da cozinha com os braços soltos sobre os joelhos e o rosto voltado para o chão. Ainda com a sobra de um sorriso no rosto, elas ficaram olhando para ele por um tempo que pareceu ser uma eternidade e que, provavelmente, não demorou mais que alguns segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Gregório olhava para o chá esparramado no chão da cozinha e seus olhos boiavam entre as lágrimas que queriam mas ainda não haviam decidido cair e se juntar ao chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que a irreversibilidade da situação comprometesse a todos, Ricardo abriu caminho entre a delicadeza e a surpresa e procurou amparar o pai:&lt;br /&gt;- Pai! Essa xícara vive escorregando da minha mão também! Vamos para a sala ver o que está passando na televisão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando isso, Ricardo segurou seu pai pelos ombros e o fez levantar. Enquanto caminhavam pela cozinha, virou-se para a irmã Tamiris e falou de maneira propositalmente despretensiosa:&lt;br /&gt;- Maninha! Você poderia começar a limpar essa bagunça? Eu já volto para te ajudar! - A complementação para o final da frase foi uma piscadela disfarçada, selando um pacto de cumplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém admitia que a falta de destreza era um anúncio inevitável do peso dos anos. Seu Gregório, por seu turno, fazia de tudo para demonstrar exatamente o contrário. O golpe mais duro, contudo, não seria o chá no chão ou a xícara despedaçada, seria, sim, ver as lágrimas indeterminadas, justificadas, que Seu Gregório quase não conseguiu bloquear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A instantâneidade do evento, a ação esperada mas mesmo assim surpreendente do peso da idade, a fragilidade e efemeridade da vida, tudo isso junto, de repente, resumiu-se naquela xícara que alçou vôo e mirou direto para o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Gregório, do alto de seus quase 80 anos, viu-se, de repente, frente a frente com o ônus da idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que nosso time joga hoje!! - O pai falou para o filho enquanto cruzavam a cozinha e os olhares das mulheres. - Faz tempo que não vemos um jogo juntos.&lt;br /&gt;A segunda frase foi dita em meio a um início de sorriso confiante nascendo nos lábios do velho homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idade tem seus ônus, é verdade, mas tem seus bônus também. Seu Gregório entendeu e atendeu ao apoio imediato do filho Ricardo.&lt;br /&gt;- Pai! Espera um pouquinho enquanto ajudo a Tamiris e a mãe lá na cozinha!!!  Ricardo falou enquanto se levantava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho caminhou até a cozinha cruzando a sala a passos largos, heróicos e confiantes. O velho acompanhou o filho com os olhos orgulhosos e cheios de ternura e não se surpreendeu quando o viu voltando, algum tempo depois, abraçado à mãe e à irmã. Desviou rapidamente o olhar e voltou-se para a televisão mantendo aquele ar solene de quem está no controle da situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como está o jogo, Pai? - Perguntou a filha Tamiris, fingindo não ter percebido a fragilidade do momento.&lt;br /&gt;Antes que o velho homem respondesse, todos já haviam se apertado ao seu redor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-786156462722460891?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/786156462722460891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=786156462722460891' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/786156462722460891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/786156462722460891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2010/04/quando-xicara-de-cha-foi-ao-chao.html' title='Quando a xícara de chá foi ao chão'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-8054205035291873</id><published>2010-04-21T19:05:00.001-03:00</published><updated>2010-04-21T19:07:43.140-03:00</updated><title type='text'>Diiinn, Dóóónn! ! !</title><content type='html'>Eram tempos de dinheiro curto. Seu pulso era firme no controle das despesas e ele fazia questão de manter a austeridade mesmo na compra dos presentes de Natal para a família. Em sua lógica, se o dinheiro era curto, as rédeas deveriam ser curtas também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele ano, nem o Natal escaparia. Decidiu e conseguiu fazer com que sua mulher concordasse com ele: as compras de presente de Natal estariam limitadas apenas ao presente do filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de presente de Natal para as tias, sobrinhas, filhos de vizinhos e etc, etc, etc. Naquele ano, só o filho e, mesmo assim, o presente dele ainda teria que ser alguma coisa na base da lembrancinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem ele, nem a esposa conseguiam chegar num consenso a respeito da lembrancinha do filho. À medida que o Natal se aproximava, aumentava a dúvida e o aperto no coração dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim, eles conseguiram resistir heroicamente até a véspera do Natal quando, de repente, um lampejo de última hora o fez mudar de idéia: ele iria encontrar alguma coisa melhor que uma “lembrancinha” para o menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É incrível o que um garoto de oito anos é capaz de fazer, não é mesmo?  Pensou consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o apoio da esposa, decidiram que iriam comprar uma bicicleta nova para o menino. Naquele momento, o que havia restado de austeridade e controle estava indo direto pras cucuia e, pior, de braços dados com o resto de suas economias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente, traçaram o plano perfeito. Já que iriam gastar, abandonar as rédeas, que o gasto, então, fosse bem feito. Ligariam para o tio querido do menino, irmão querido da esposa querida, e pediriam para que ele viesse convidar o menino para uma volta pelo bairro. Enquanto os dois passeavam “a pé”, ele pegaria o automóvel do cunhado emprestado e iria comprar o presente decidido de última hora. Ah, o mais importante: o cunhado só poderia voltar após as 8 horas da noite para que ele e a esposa pudessem embrulhar o presente e escondê-lo devidamente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tudo estava indo super bem. Ligaram para o cunhado e ele concordou com tudo, desde o passeio com o sobrinho até o empréstimo do automóvel. Afinal de contas, era uma emergência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- din, dóóónnn!!! din, dóóónnn!!! din, dóóónnn!!!  Era a campainha anunciando a chegada do cunhado querido. O desgraçado adorava tocar a bendita três vezes seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que os dois, filho e cunhado, saíram, ele pegou o carro e foi à cata da bicicleta. Por sorte, numa das poucas lojas ainda abertas ele achou o presente ideal, no tamanho certo, na cor preferida dele, brilhante como toda bicicleta deveria ser e cheia daqueles adesivos que só a garotada apreciava. Enfim, a bicicleta era simplesmente perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou imaginando o momento em que o filho receberia o presente e em sua imaginação dedicou alguns segundos para observar minuciosa e detalhadamente o brilho de surpresa e encantamento que com certeza apareceria nos olhos do menino. Aquela imagem não teria preço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, a cerimônia de entrega! Ela teria que ser especial também!  Considerou em pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginou-se fazendo a brincadeira do quente e frio até o filho encontrar o presente todo embrulhado para, em seguida, destruir em décimos de segundo e com total brutalidade o embrulho feito com tanto carinho e cuidado pela mãe (claro, estas coisas de embrulho teriam que ficar a cargo da mãe!!!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vendedor trouxe-o de volta a realidade ao perguntar como ele iria pagar. Somente após o pagamento é que o vendedor da loja lhe informou que a bike (fala-se “báique” e era dessa maneira que seu filho provavelmente iria chamar a bicicleta) viria desmontada, mas com um manual de instruções acompanhando o produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela informação sobre o manual teve um efeito devastador sobre ele. Imediatamente, viu-se perdendo horas tentando montar a bicha (note que a bicicleta mudou de nome outra vez) e, pior, correndo o risco de não conseguir finalizar a obra a contento. Isso seria um desastre completo e, evidentemente, esse risco ele não poderia correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu que um bicicleteiro realizaria aquela tarefa com muito mais propriedade do que ele, correndo muito menos riscos e, principalmente, com muito mais rapidez. Ele precisava chegar em casa antes do filho, ou seja, antes das 20:00 horas e já eram 18:30 horas passadas. Seria uma corrida contra o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, havia um bicicleteiro ao lado da loja de bicicletas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho de montagem da bicicleta até que foi rápido. O problema foi colocar o trambolho (trambolho?) “montado” dentro do carro. Aquilo, sim, exigiu o trabalho conjunto de boa parte de seus neurônios e dos do bicicleteiro também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após algumas tentativas infrutíferas no porta-malas, acompanhadas de uma série de impropérios, alguns baixinhos, outros em pensamento e outros em voz alta mesmo, decidiram tentar colocar o presente no banco de trás do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sucesso! - Exultou sem considerar, obviamente, o rasgo no banco de couro do carro do cunhado. - ...mas isso não seria levado em conta. Não! Claro que não seria levado em conta! De jeito nenhum! Nunca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto dirigia de volta para casa, começou a levar em conta o rasgo no banco do carro do cunhado:&lt;br /&gt;- Mas que $#§ÿ*ʓ#γ&amp;%!!! Porque eu não vi que a $#§ÿ*ʓ#γ&amp;% da bicicleta iria se enganchar na $#§ÿ*ʓ#γ&amp;% do banco!!! Aquele $#§ÿ*ʓ#γ&amp;% do meu cunhado vai me encher o $#§ÿ*ʓ#γ&amp;% por causa disso!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou chegando em casa um pouco antes das 20:00 horas. Seu filho logo estaria ali. A mulher correu para ver o presente e, claro, também se encantou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o ato final: tirar a bicicleta do carro do cunhado e preparar o presente para uma entrega adequada, conforme seus devaneios na loja de brinquedos. O embrulho poderia ser feito em menos de um minuto e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pôxa vida, porque que é que a bicha não estava saindo do carro agora?  Falou enquanto a esposa assistia a tudo silenciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A bicicleta não está saindo?  Ela perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem responder, ele deu a volta no carro e se sentou no banco de trás pelo outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou empurrar enquanto você puxa, ta bom?  Ele falou já num tom de voz meio alterado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxa daqui, empurra dali e nada da bicha sair do carro. Alguma coisa estava emperrando a bicicleta. Um pouco mais de força aqui, um pouco mais de força ali e...pronto: mais um rasgo no banco de couro do carro do cunhado. E a bicicleta continuava entalada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, os dois ouviram um som aterrorizante e ao mesmo tempo familiar:&lt;br /&gt;- din, dóóónnn!!! din, dóóónnn!!! din, dóóónnn!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-8054205035291873?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/8054205035291873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=8054205035291873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/8054205035291873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/8054205035291873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2010/04/diiinn-dooonn.html' title='Diiinn, Dóóónn! ! !'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-3580143296529409000</id><published>2010-04-21T19:00:00.002-03:00</published><updated>2010-04-21T19:03:53.242-03:00</updated><title type='text'>CENTENÁRIO DA ONU</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCharles%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="metricconverter"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} p 	{mso-margin-top-alt:auto; 	margin-right:0cm; 	mso-margin-bottom-alt:auto; 	margin-left:0cm; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:21.0cm 842.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.45pt; 	mso-footer-margin:35.45pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Texto originalmente escrito em abril de 2004.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Hoje, dia 24 de outubro de 2045, o mundo está comemorando os cem anos de surgimento da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse mesmo dia, mas no ano de 1945, foi promulgada a Carta das Nações Unidas, uma espécie de Constituição da entidade, assinada na época por 51 países, entre eles o Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Criada logo após a 2ª Guerra Mundial, o foco da atuação da ONU sempre foi a manutenção da paz e do desenvolvimento em todos os países do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Ao longo destes cem anos, o desenvolvimento da entidade pode ser dividido em dois grandes momentos. O primeiro deles é caracterizado pelo seu enfraquecimento gradual a partir da guerra fria e culminando com a Invasão do Iraque pelos Estados Unidos em &lt;st1:metricconverter productid="2003. A" st="on"&gt;2003. A&lt;/st1:metricconverter&gt; ONU efetivamente perdeu muito de sua força e consistência pela inépcia demonstrada perante a invasão do Iraque sem qualquer respaldo da instituição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;O segundo grande momento da ONU foi a sua união com a Organização Mundial do Comércio (OMC) no final de 2027. Foi a partir dessa união que o mundo viu surgir as bases para a criação de um novo conceito de Estado e que se convencionou chamar Well Fare World.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Antes, porém, de detalharmos esse segundo estágio da evolução histórica da ONU é conveniente analisarmos um movimento importante no comércio mundial a partir de 2015. Nesse ano foi fundado o bloco econômico dos países emergentes, formado inicialmente por China, Brasil, Índia, Argentina e outros 18 países.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;A fantástica evolução desse bloco econômico em relação aos demais blocos econômicos mundiais, entre eles a Alca e a União Européia, apenas para citar os dois maiores exemplos, deflagrou sanções alfandegárias e subsídios injustificados por parte dos países considerados prejudicados. O estremecimento das relações comerciais, como conseqüência imediata destes atos ilícitos, gerou, por sua vez, um enfraquecimento nas relações diplomáticas entre os países envolvidos. O ápice dos desentendimentos se deu em 2025, entre Brasil e Estados Unidos, quando as duras ameaças de retaliação de ambos os lados resultaram na expulsão do corpo diplomático nos dois países.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Finalmente, para resolver estas questões diplomáticas originadas, por sua vez, de delicadíssimas questões econômicas, foi necessária uma aproximação entre os dois principais organismos supra-nacionais da época: a ONU e a OMC.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;A alteração do estatuto de ambas as entidades privilegiou uma distribuição “justa e necessária” da riqueza gerada nas transações comerciais mundiais. O que se buscou foi um conceito diferente do conhecido “Estado do Bem-Estar Social” do final do século XX. O que se buscava era algo mais amplo e que permitisse o real desenvolvimento dos países que precisavam se desenvolver. Nesse sentido, é importantíssimo ressaltar a primeira decisão conjunta do novo organismo e que se tornou um marco para a construção do novo conceito para Well Fare World: o perdão total e unilateral de todas as dívidas externas daqueles países que ainda precisavam resolver problemas estruturais considerados básicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Apesar de toda a evolução apresentada, é certo que ainda há muito o que fazer. Nesse centenário da ONU, portanto, além de saudarmos a coragem dos países que se comprometeram com os novos objetivos mundiais, convém rezarmos pela manutenção dos ideais que permitiram esse grande passo da raça humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-3580143296529409000?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/3580143296529409000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=3580143296529409000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/3580143296529409000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/3580143296529409000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2010/04/centenario-da-onu.html' title='CENTENÁRIO DA ONU'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-2453088735265338576</id><published>2009-03-23T22:44:00.002-03:00</published><updated>2009-03-23T23:06:16.767-03:00</updated><title type='text'>A CRISE CAPITALISTA E SUAS OPORTUNIDADES</title><content type='html'>"Artigo jurídico publicado no Jornal de Santa Catarina em 23 de março de 2009."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o mundo está vivendo agora é uma crise capitalista como tantas outras que já existiram e tantas outras que ainda existirão. Isso significa que continuaremos convivendo com crises capitalistas. Essa é a má notícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que essa crise tem de diferente e o que ela pode oportunizar? Penso que as respostas estão inter-relacionadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa crise é diferente pela sua capacidade de ter impactos globais. A última crise globalizada foi a crise dos anos 30, longe quase 80 anos no tempo. A crise capitalista dos anos 30 foi devastadora, produziu um exército de desempregados e trouxe como consequências diretas o aumento nas tarifas de importação dos principais participantes do comércio mundial daquele período. A consequência indireta, decorrente daquela, foi a Segunda Grande Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes dois fatos são suficientes para explicar por que a imprensa e os principais líderes mundiais sempre se referem à crise dos anos 30 quando tratam da atual. A primeira crise capitalista do século XXI também apresenta oportunidades. Essa é a boa notícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a principal oportunidade seja a possibilidade de instalação de uma governança global de regulação e regulamentação do sistema financeiro. Em outras palavras, a crise pode determinar a criação de um mecanismo de controle do sistema financeiro do planeta com o objetivo de evitar que novas crises iguais a esta voltem a ocorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais importante do que o mecanismo a ser criado (espera-se que seja criado mesmo), a governança global tem outros significados. Um deles é a amplitude: os objetivos a serem alcançados precisam ser globais; outro significado importante relaciona-se com a solidariedade: deverá beneficiar a todos, países pobres e ricos, indiscriminadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe, não seja um bom exemplo a ser seguido em outros assuntos tão importantes quanto o sistema financeiro global. Quem sabe não se instale um fórum para a instalação de uma governança global específica para o meio ambiente ou um fórum para a discussão efetiva da questão do aquecimento global. Finalmente, quem sabe, um dia ainda poderemos ver uma governança global para a distribuição equitativa das riquezas do planeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-2453088735265338576?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/2453088735265338576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=2453088735265338576' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/2453088735265338576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/2453088735265338576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2009/03/crise-capitalista-e-suas-oportunidades.html' title='A CRISE CAPITALISTA E SUAS OPORTUNIDADES'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-6111212967031575068</id><published>2009-03-08T21:29:00.003-03:00</published><updated>2009-03-08T21:34:28.059-03:00</updated><title type='text'>A CRISE É SÉRIA</title><content type='html'>"Artigo jurídico publicado no Jornal A Notícia em 08 de março de 2009."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bolsas de valores do mundo todo parecem brincar de montanha russa. Um dia sobem, no outro caem. A bolsa brasileira, a Bovespa, tenta não acompanhar o sobe-e-desce, mas não tem obtido resultados muito satisfatórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comportamento das bolsas tem refletido o ânimo e as percepções dos investidores, gerando, em consequência, um efeito cascata nos demais setores da economia. Isso explica as demissões anunciadas em diversas megacompanhias pelo mundo. Explica, também, o cancelamento de investimentos e as interrupções nos processos de fusão e aquisição de empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento, portanto, é de cautela.Respaldados nos ensinamentos de outras crises, os governos das principais economias do mundo procuraram agir rapidamente. Os US$ 700 bilhões disponibilizados pelo governo americano para salvar o mercado financeiro não foram uma resposta só para a crise. O objetivo era serenar ânimos e reverter percepções. A União Europeia fez a mesma coisa e, em seguida, a China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só os meios de comunicação, mas os líderes das maiores economias têm comparado a atual crise capitalista, pois não deixa de ser uma crise do capitalismo, com a crise dos anos 30, deflagrada com o crash da bolsa de Nova York, em outubro de 1929.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crash talvez tenha se transformado na crise dos anos 30 pela demora da resposta do governo americano. Com essa lição em mente, explica-se a postura rápida e decisiva da União Europeia, da China e dos Estados Unidos agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não pode subestimar a força de uma crise capitalista. Seremos impactados na medida de nossa inserção no comércio mundial e, principalmente, na medida do altíssimo grau de entrelaçamento dos mercados de capitais mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sistema financeiro brasileiro é considerado um dos mais evoluídos do planeta. Todos os nossos planos econômicos de combate à inflação acabaram por tornar nossa estrutura financeira, reconhecidamente ágil, sólida e segura. Aprendemos com nossos próprios erros, é verdade. Contudo, a crise se agiganta. Não podemos subestimá-la pela simples razão de que a crise não irá subestimar o Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-6111212967031575068?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/6111212967031575068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=6111212967031575068' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/6111212967031575068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/6111212967031575068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2009/03/crise-e-seria.html' title='A CRISE É SÉRIA'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-29877549564177822</id><published>2009-01-09T19:51:00.001-02:00</published><updated>2009-01-09T19:55:16.232-02:00</updated><title type='text'>Fábrica de Guarda-Chuvas</title><content type='html'>De tempos em tempos o homem se encanta consigo mesmo e a cegueira desse encanto o impede de ver seus próprios erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filipo nasceu na metade do século XIX. Seu pai, Seu João Firmino, era fazendeiro, plantador de café em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. A família prosperava a olhos vistos e a medida da prosperidade não se dava apenas pelas sacas de café comercializadas, também se dava pela quantidade de escravos que o Seu João Firmino possuía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu João Firmino era um sujeito duro, violento, cruel até. Pouca gente rezou por ele quando a notícia de seu falecimento correu a vila de São João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filipo tomou conta dos negócios da família com o mesmo afinco do pai. Mostrou-se capaz de negociar tão bem quanto o pai, mostrou ser tão duro quanto o pai e tratou seus escravos com a mesma crueldade que seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filipo, assim como o pai, fez fortuna em São João da Boa Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos de Filipo estudaram na Europa. João Firmino Neto, o primogênito, formou-se em Direito enquanto Antônio, o outro filho, não conseguiu terminar a faculdade de Administração. Quando voltaram para o Brasil, um escritório novinho em folha esperava pelo advogado e uma vaga na administração da fazenda esperava pelo quase-administrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram novos tempos. Um novo século havia começado. O trabalho dos escravos havia sido abolido e a fazenda de Filipo já não tinha a mesma pujança de antes. Filipo morreu alguns anos antes de ver seu filho João abandonar o escritório de advocacia e voltar para a Europa. Ele também não viu seu outro filho, Antônio, transformar sua antiga fazenda de café, onde três gerações de sua família plantou, colheu e prosperou, numa moderna e inovadora fábrica de guarda-chuvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As idéias trazidas da Europa estavam pouco a pouco sendo colocadas em prática no resto do mundo e Antônio tratou de antecipá-las no Brasil. Centenas de empregados trabalhavam de 12 a 16 horas por dia para Antônio, sem descanso semanal, sem férias, sem nada além de um salário mirrado e descontado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, o advogado, o neto de João Firmino, morreu antes de completar um ano na Europa enquanto Antônio, seu irmão, fazia fortuna em São João da Boa Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio casou-se com Lucinda, uma moça muito parecida com ele. Ambos eram inteligentes, estudados e seguros de si; ambos eram orgulhosos, arrogantes e auto-suficientes. Ambos brigavam o tempo todo e em meio a tantas brigas Lucinda anunciou que estava grávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As brigas continuaram, agora para escolher o nome do bebê. Antônio queria que o menino se chamasse Marco Antônio, enquanto Lucinda queria homenagear um primo distante, Stephen. Para Antônio, não havia sentido a homenagem e, além disso, este primo não era distante o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses após o nascimento do bebê, registrado com o nome de Marco Antônio, Antônio matou Lucinda pensando defender sua honra, desconfiado que estava da real paternidade da criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio não precisou rogar a ajuda do irmão advogado, desaparecido anos antes na Europa. Aliado ao machismo reinante no país, o patriarcado social se incumbiu de inocentá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Antônio não conheceu nem a mãe e nem o pai. Antônio, o pai, fez questão de entregá-lo a um orfanato de onde Marco Antônio só saiu após completar a maioridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos depois de deixar o orfanato, Marco Antônio recebeu uma carta em sua casa, na periferia da cidade. Ele e sua esposa leram a carta juntos enquanto suas duas crianças brincavam no único quarto da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na carta, o pai que Marco Antônio não conheceu se apresentava e pedia desculpas por tudo. Pedia desculpas por não ter acompanhado o seu crescimento, por tê-lo abandonado, por tê-lo separado de sua mãe, enfim, por tudo o que havia acontecido na vida dele desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta mostrava muita dor e arrependimento. O objetivo não era o perdão mas, sim, contar uma história, a história da família de Marco Antônio. O perdão, impossível, sequer foi cogitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio contou todos os detalhes daquela família, desde os tempos de Seu João Firmino, bisavô de Marco Antônio, e não poupou as maldades e nem os erros cometidos por cada um de seus membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na carta, Antônio deixava sua herança para o filho: um pedido de desculpas e uma fábrica de guarda-chuvas em São João da Boa Vista. Nas entrelinhas, contudo, havia a esperança que Marco Antônio pudesse fazer diferente, diferente de tudo o que a sua família havia feito até então.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-29877549564177822?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/29877549564177822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=29877549564177822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/29877549564177822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/29877549564177822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2009/01/fbrica-de-guarda-chuvas.html' title='Fábrica de Guarda-Chuvas'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-7367750899795756890</id><published>2008-07-29T22:05:00.001-03:00</published><updated>2008-07-29T22:07:28.802-03:00</updated><title type='text'>BRASIL E OMC</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Artigo jurídico publicado no jornal A Notícia em 29 de julho de 2008."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celso Amorim, chanceler da República brasileira, está em Genebra, na Suíça, travando um verdadeiro cabo de guerra com as nações mais ricas do mundo em mais uma rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC): a Rodada de Doha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se entender o que está acontecendo atualmente em Genebra e a real importância para o Brasil e para o mundo é necessário voltar até o ano de 1944.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em julho daquele ano, no estado americano de New Hampshire, os representantes de 44 nações se encontraram para planejar a reconstrução do capitalismo mundial enquanto a Segunda Guerra Mundial caminhava para o seu desfecho. Das reuniões que aconteceram nas 3 primeiras semanas de julho de 1944 criou-se ou, pelo menos, lançou-se a pedra fundamental para a criação do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e, também, da OMC, se bem que inicialmente seu nome de batismo acabou sendo GATT, sigla em inglês para General Agreement on Tariffs and Trade, ou, em bom português, Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo específico da OMC foi facilitar o livre comércio entre os países, eliminando as possibilidades de protecionismo aduaneiro, tendo em vista ter sido esta uma das causas da Segunda Grande Guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia também outro objetivo. Os Estados Unidos, grandes vencedores do conflito, saíam da guerra praticamente intactos e com uma economia em franca expansão. Obviamente, necessitariam de mercados ‘abertos’ para receber seus produtos, ou seja, mercados que não estivessem contaminados com o vírus do protecionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, de lá para cá pouca coisa mudou. Os países ricos, ou ‘desenvolvidos’, continuam preocupados em eliminar as barreiras alfandegárias dos países pobres, ou ‘em desenvolvimento’, viabilizando, assim, a venda de seus produtos com alto valor agregado. Ao mesmo tempo, estes países, os ‘desenvolvidos’, se utilizam descaradamente de práticas protecionistas, como o subsídio ao setor agrícola, dificultando o livre comércio justamente com os grandes produtores agrícolas do mundo, ou seja, os países ‘em desenvolvimento’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, o que se nota no mundo é uma preocupação em fazer com que os ‘países em desenvolvimento’ eliminem suas barreiras alfandegárias e passem a comprar tudo o que os ‘países desenvolvidos’ fabricam (produtos com alto valor agregado, basicamente tecnologia). Em troca, os países ricos ou ‘países desenvolvidos’ fazem exatamente o oposto, isto é, protegem descaradamente seus mercados agrícolas através da prática de subsídios, inviabilizando as exportações dos países em desenvolvimento (essencialmente agrícolas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É exatamente isso o que se está discutindo em Genebra: países ricos querendo a diminuição das taxas de importação (facilitando o comércio dos seus produtos) e, do outro lado da mesa (ou do cabo de guerra) os países pobres exigindo uma diminuição dos níveis de subsídios agrícolas praticados pelos países ricos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-7367750899795756890?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/7367750899795756890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=7367750899795756890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/7367750899795756890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/7367750899795756890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2008/07/brasil-e-omc.html' title='BRASIL E OMC'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-8369201261987782919</id><published>2008-07-28T21:59:00.004-03:00</published><updated>2008-07-29T21:59:59.962-03:00</updated><title type='text'>FIM DO ESTADO</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Artigo jurídico publicado no Jornal de Santa Catarina (Blumenau-SC) em 28 de julho de 2008."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutrinariamente, povo e território são apresentados como elementos constitutivos ‘materiais’ do Estado. Além destes, há ainda um elemento constitutivo ‘formal’: o Poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especificamente com relação ao elemento formal, o Poder do Estado, este se manifesta através de seu Governo e através de sua Soberania. O Governo é entendido aqui como sendo as ações e preocupações relacionadas com a coordenação e o funcionamento do Estado; já a Soberania, por sua vez, está relacionada com predominância do Poder do Estado, à sua não-limitação a nenhum outro poder e à sua independência em relação a outros Estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado como o conhecemos, ou como pensamos conhecer, não existe mais. Sua soberania vem sendo atacada por todos os lados e todos os dias com impactos diretos nos demais elementos constitutivos. De que outra maneira poderíamos entender as interferências em nossa economia dos chamados capitais especulativos que entram e saem de nosso país ao bel prazer dos ventos dos melhores juros? Como interpretar a ‘invasão’ de produtos fabricados em países reconhecidamente autoritários? Como competir com produtos de países cujos trabalhadores não possuem nem sombra do amparo jurisdicional que os nossos trabalhadores exercitam há décadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evasão de recursos, mesmo aqueles considerados especulativos, tem um impacto negativo em nossa economia. O aumento na taxa de juros sempre que a sombra da inflação desponta no horizonte inibe o consumo, por um lado, e o empreendedorismo, de outro. O resultado, para os dois eventos, é uma economia que não cresce, que patina e não sai do lugar. O resultado, portanto, são índices crescentes de desemprego e de pessoas abaixo da linha da pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado como o conhecemos não existe mais. Ele vem sendo confrontado em sua soberania ao mesmo tempo em que sua população vem sofrendo os impactos cada vez maiores da mundialização do capital.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-8369201261987782919?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/8369201261987782919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=8369201261987782919' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/8369201261987782919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/8369201261987782919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2008/07/fim-do-estado.html' title='FIM DO ESTADO'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-682706315743652409</id><published>2008-06-30T00:36:00.001-03:00</published><updated>2008-07-29T22:01:16.302-03:00</updated><title type='text'>Considerações Jurídicas a Respeito do 'Jeitinho' Brasileiro</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Artigo jurídico publicado no Jornal Cruzeiro do Vale (Gaspar-SC) em 04 de julho de 2008."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que uma sociedade avança, se transforma, mais complexa ela fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tentar atender os anseios jurisdicionais de uma população, evitando a auto-tutela (justiça pelas próprias mãos), por exemplo, há uma infinidade de leis que tentam contemplar todos os meandros da vida social. Obviamente, esse objetivo não é alcançado em sua totalidade e nem poderia ser tendo em vista o dinamismo e a flexibilidade que caracterizam qualquer sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das leis escritas, a própria sociedade dita regras de conduta que, apesar de não estarem codificadas (transcritas em códigos de leis), exercem uma forte influência junto às pessoas.&lt;br /&gt;Estas regras de conduta podem versar sobre aspectos éticos e morais daquela sociedade em particular e do momento histórico que aquele grupo social esteja vivendo. Contudo, da mesma maneira como ocorre na produção legislativa, também pode haver desvios de análise e de estruturação para as regras de conduta ditadas pela própria sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este talvez seja o caso do aclamado “jeitinho” brasileiro, tão cultuado aqui e fora do país. A sistemática de funcionamento do “jeitinho” não guarda relação com regras escritas, mas, sim, com regras de conduta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “jeitinho” é como chamamos a forma pela qual muitas pessoas resolvem seus problemas de uma maneira mais fácil e/ou mais rápida, não importando se, para isso, tenha sido necessário passar por cima de alguém ou de alguma regra estabelecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática reiterada do “jeitinho” acaba se tornando o combustível para limitações de cidadania e educação, em um primeiro momento, e para incrementar a corrupção e a impunidade nos diversos níveis da sociedade, em uma situação mais crítica. Furar a fila do cinema ou, para continuar no exemplo da fila, fingir que não viu que estava na fila do caixa para gestantes e idosos no supermercado, são exemplos de “jeitinho” no nível da cidadania ou do respeito social. Já no âmbito da corrupção e da impunidade, é o “jeitinho” que explica as costumeiras tentativas de fraudes nos vestibulares ou concursos, o apadrinhamento nos empregos públicos ou, em casos mais extremos, as propinas oferecidas ou requisitadas para evitar multas de trânsito, entre tantos outros exemplos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma sociedade assim, as pessoas vangloriam-se despudoradamente das vantagens conquistadas e das maneiras como elas foram obtidas, estabelecendo entre si uma espécie de ranking ou competição que considera a vantagem obtida e o custo na sua obtenção. De acordo com essa sistemática, quanto maior for a vantagem obtida e menor o custo relacionado, mais esperta esta pessoa será considerada e maior será seu status perante seus pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sociedade como a nossa não deveria ser assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-682706315743652409?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/682706315743652409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=682706315743652409' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/682706315743652409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/682706315743652409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2008/06/consideraes-jurdicas-respeito-do.html' title='Considerações Jurídicas a Respeito do &apos;Jeitinho&apos; Brasileiro'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-2128345155369077119</id><published>2008-06-05T23:44:00.000-03:00</published><updated>2008-06-05T23:48:07.217-03:00</updated><title type='text'>À sombra da mesma árvore</title><content type='html'>O nome dela era Clarice. Ela sentava-se à sombra da mesma árvore todos os domingos. Meticulosamente, ela preparava o espaço aonde iria se sentar como se cada item fizesse parte de um ritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, depositava a almofada no chão, bem encostada ao tronco da árvore. Depois, retirava o livro de dentro da sacola e o colocava ao lado da almofada. Em seguida, sentava-se vagarosamente como se não houvesse mais ninguém num raio de quilômetros. Entretanto, milhares de outras pessoas freqüentavam aquele lugar todos os domingos e, assim como Clarice, todas elas buscavam naquele parque o que não tinham durante a semana. As pessoas estavam ali para passear, correr, pular, gritar, sorrir, andar de bicicleta e...enquanto isso, Clarice ficava lá, sentada à sombra daquela árvore, sozinha, lendo seu livro. Para ela, todas as outras pessoas do parque eram invisíveis, não estavam realmente ali. Ao mesmo tempo, ou justamente por isso, ela sentia-se invisível também e voltava para casa sempre mais triste do que quando saía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas neste domingo seria diferente. Clarice não queria passar mais um domingo entristecida e estava indecisa se talvez não fosse melhor ficar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, Leônidas, também ia ao parque todos os domingos. Contudo, ele não era invisível. Já havia alguns domingos que ele observava aquela moça sentada à sombra da mesma árvore. A cada semana um detalhe dela, de Clarice, saltava aos olhos de Leônidas; num domingo, era o rosto delicado dela; no outro, os cabelos compridos, loiros e brilhantes dela; no domingo passado havia sido a lágrima que ela não conseguiu segurar. Cada domingo que passava fazia crescer em Leônidas a vontade de conhecer mais daquela moça, saber seu nome, conhecer sua voz, mas ele nunca conseguiu fazer mais do que ficar olhando de longe para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas neste domingo seria diferente. Leônidas havia decidido que iria finalmente conversar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice olhou para a sacola e para a almofada em cima do sofá e ficou pensando por um momento, parada, de pé no meio da sala. Depois de algum tempo, virou-se e decidiu que naquele domingo ela não iria ao parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquele domingo foi Leônidas quem se sentou à sombra da árvore de Clarice e voltou para casa entristecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante meses Leônidas tentou cumprir a promessa que havia feito para si mesmo, de conhecer aquela moça e dizer a ela o quanto ela ainda seria importante para ele. Todos os domingos, Leônidas procurava e esperava por ela, por nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice também estava cumprindo sua promessa. Ela decidiu que não iria mais àquele lugar repleto de seres invisíveis, onde não havia quem a notasse e de onde voltava sempre um pouquinho mais triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns meses, Leônidas continuava procurando por Clarice todos os domingos e cada frustração aumentava a certeza e a necessidade que ele tinha de encontrá-la. Leônidas, então, decidiu fazer o improvável, decidiu colocar um anúncio no jornal: “Árvore solitária procura moça loira que costumava apoiar-se em seu tronco e ler aos domingos. Uma surpresa especial aguarda seu retorno.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela lógica de Leônidas, sua idéia bem que poderia dar certo. A história dele com aquela moça já estava toda impregnada de improbabilidades: era improvável que ele um dia decidisse conversar com aquela garota e, afinal de contas, ele acabou se decidindo; também era improvável que ela deixasse de ir ao parque justamente no dia em que ele decidiu falar com ela e, afinal de contas, ela acabou decidindo não ir; finalmente, segundo a lógica de Leônidas, seria improvável que ela lesse o anúncio e fosse ao parque e, afinal de contas, talvez isso acontecesse também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice não costumava comprar jornais. Eram os livros que a atraiam. Ela passeava entre Doris Lessing e Cecília Meireles, entre Júlio Verne e Marion Zimmer Bradley. Nem mesmo a lógica improvável de Leônidas faria com que Clarice comprasse jornais justamente no dia em que o anúncio seria publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, essa ginástica toda, afinal de contas, acabou não sendo necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia, no caminho de volta do trabalho, Clarice ouviu desinteressada os comentários a respeito de um anúncio de jornal muito engraçado e diferente. Algumas pessoas no ônibus estavam comentavam da maluquice, da originalidade, da brincadeira de um anúncio sobre uma árvore solitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que no dia seguinte, domingo, Clarice estava lá, no parque. É claro que seu lugar estava ocupado, havia um rapaz sentado à sombra da sua árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Leônidas levantou os olhos e encontrou os de Clarice, ela soube que havia sido ele o autor do anúncio e não conseguiu esconder um sorriso. Ele respondeu mostrando a almofada desocupada ao lado dele e o livro embrulhado para presente sobre ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquele dia em diante, vários livros foram divididos entre os três e nunca mais o domingo terminou entristecido, nem para Clarice, nem para Leônidas e muito menos para aquela árvore especial que ambos adotaram carinhosamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-2128345155369077119?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/2128345155369077119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=2128345155369077119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/2128345155369077119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/2128345155369077119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2008/06/sombra-da-mesma-rvore.html' title='À sombra da mesma árvore'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-8044644774078512518</id><published>2008-05-10T20:05:00.001-03:00</published><updated>2008-07-29T22:02:05.625-03:00</updated><title type='text'>Imposto Atrasado</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Conto classificado no XII Concurso De Prosa – Prêmio Jornalista Omair Fagundes de Oliveira - promovido pela Associação de escritores de Bragança Paulista em outubro de 2007."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo procurei entender a força da simplicidade. Sempre achei extraordinário que as coisas simples e despretensiosas tivessem mais força do que aquelas programadas e complexas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é assim mesmo? Não há nada mais forte que uma simples palavra de ternura e carinho, ainda mais se for a resposta para um discurso ferrenho e venenoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que têm esse dom, da simplicidade pela suavidade, por exemplo, e conseguem trazer consigo, sem nenhum esforço, a palavra já impregnada desse algo mais especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia pude ver esse dom em ação. Tive que ir até uma repartição pública para retirar uma guia de pagamento de imposto que estava atrasado e... baita programão, eihn! Acho que este é um dos poucos programas que pode ser considerado uma perfeita unanimidade, ou seja, ninguém quer fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, era final de tarde, tarde de verão. Havia sido um dia bastante quente e, é claro, era um dia ideal para se pegar filas e pagar taxas. O ambiente na repartição parecia ter acumulado todo o calor daquele dia. Além disso, as pessoas refletiam a vontade de estar ali, onde tudo era modorrento e pegajoso. Tudo ali transcorria em câmara lenta como o suor descendo pelo rosto da maioria daquelas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fila não andava e as pessoas conversavam assuntos previsíveis entre si. Falavam mal do governo e dos políticos, falavam mal da morosidade da fila, falavam mal dos funcionários públicos e voltavam a falar mal da fila. O comportamento da maioria das pessoas ali em nada ajudava a melhorar o ambiente já pesado pelo calor e pelo ar abafado e sem ventilação da repartição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha frente havia uma moça que se manteve alheia aos comentários dos demais integrantes da fila. Com certeza, ela também deve ter ouvido cada palavra dos demais, porém, assim como eu, decidiu não compartilhar nenhuma das opiniões ali expressadas. Ela era bem jovem, deveria ter uns 20 anos e estava usando um vestido floral bem ao estilo de sua idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Próximo!!! - Era a atendente chamando pela moça. Sentada solenemente em sua cadeira, a atendente praticamente gritava ao anunciar o próximo na fila e fazia isso sem nem ao menos levantar os olhos dos papéis em sua mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde! - Cumprimentou a moça suavemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se foi o tom de voz da moça ou o modo como ela falou mas o que quer que tenha sido, foi suficiente para que a atendente levantasse a cabeça e fitasse a moça com um ar de curiosidade e, por que não dizer, de surpresa também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem? - A moça complementou. A pergunta não havia sido feita de forma automática, como acontece com a maioria dos cumprimentos ou perguntas feitas a quem nem sequer conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sentimentos de interesse e preocupação que acompanharam a pergunta da moça foram suficientes para surpreender a atendente...e a mim também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O calor...está muito quente! Hoje estou me sentindo bastante cansada! - A atendente respondeu. - Não vejo a hora de ir para casa, me esticar no sofá...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atendente, uma senhora além dos 50 anos, falou com a moça misturando lamento e desabafo. Ao mesmo tempo, é claro, era também um pedido de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça ouviu as palavras daquela senhora com um olhar paciente e confortador. Era como se ela já soubesse o que a atendente iria lhe dizer. Após alguns segundos de silêncio entre as duas, a moça disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O dia já está acabando! Não vai demorar muito e a senhora poderá ir pra casa, tomar um bom banho e descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora foi a vez de a atendente prestar atenção nas palavras da moça. Criou-se, então, uma relação diferente entre as duas e ninguém ali teria coragem de interromper aquela conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de estar ouvindo cada uma das palavras trocadas entre as duas, não me sentia como se estivesse bisbilhotando ou algo do gênero. Eu sabia que estava compartilhando alguma coisa de especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um ou dois minutos, a moça, de repente, se levantou agradecendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito obrigado pela sua ajuda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu é que agradeço! - Retrucou a atendente, de pé e com a mão estendida em direção à moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça aceitou o cumprimento e se despediu da senhora desejando-lhe boa sorte. Então, quando se virou para ir embora, seu olhar cruzou com o meu. Por um segundo nos tornamos cúmplices de tudo o que havia acontecido ali e naquele segundo de cumplicidade pude ver o que aquela moça havia conseguido apenas com seu jeito simples e natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhei-a com os olhos até que ganhasse a rua e em pensamento desejei-lhe boa sorte também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia chegado a minha vez. Antes que a atendente me chamasse, contudo, decidi ir embora. O documento que eu tinha ido buscar já não era tão importante assim, pelo menos naquele dia quente de verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que eu precisava fazer alguma coisa muito mais importante e urgente. Eu precisava replicar o que havia acontecido ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri em casa, peguei minha esposa e meu filho e saímos para um passeio no parque, um simples e natural passeio no parque naquele final de tarde ensolarado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado de minha esposa ainda tonta pela surpresa, deitado na grama e rindo das cambalhotas desajeitadas de meu filho no esplendor de seus oito anos, pensei no que havia acontecido horas antes e agradeci mais uma vez a moça da fila em seu vestido florido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-8044644774078512518?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/8044644774078512518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=8044644774078512518' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/8044644774078512518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/8044644774078512518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2008/05/imposto-atrasado.html' title='Imposto Atrasado'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1868591189330029399.post-7128489242498674584</id><published>2008-05-04T19:59:00.001-03:00</published><updated>2008-07-29T22:02:41.411-03:00</updated><title type='text'>A Vida não costuma avisar da mudança que virá</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Conto classificado no Concurso Literário “Contos para Viagem” promovido pela Editora Arte Literária de São Paulo em dezembro de 2006."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado como as coisas mudam quando a gente menos espera.&lt;br /&gt;Hoje, por exemplo, o dia tinha tudo para ser 100% igual a todos os outros e acabou sendo maravilhosamente diferente!&lt;br /&gt;Trabalho em São Paulo e te digo uma coisa: - Trabalhar em São Paulo não é fácil! Todo dia tem trânsito e ônibus lotado, todo dia é a mesma coisa!&lt;br /&gt;Para variar, chequei atrasado ao trabalho e, também para variar, levei outra bronca do patrão. O dia já começou, digamos: - Beleza!&lt;br /&gt;À noite, depois da aula no supletivo, peguei o ônibus para casa. Com certeza eu não iria agüentar ficar acordado a viagem toda. Hoje eu estava todo moído.&lt;br /&gt;Antes de apoiar a cabeça no banco e cair no sono vi quando aquela mulher entrou no ônibus. Ela subiu os degraus bem devagar, aparentando estar bem mais cansada do que qualquer outra pessoa ali. Ela devia ter uns 35 anos.&lt;br /&gt;Pagou a passagem sem olhar para o cobrador e procurou o primeiro banco vazio que pudesse ocupar. Adivinhou onde ela se sentou? Sim, ela se sentou do meu lado.&lt;br /&gt;Observei-a enquanto caminhava na minha direção. Andava com cuidado, com tanto cuidado que parecia mover-se em câmera lenta. Aliás, todos os seus gestos eram assim, em câmera lenta. Reparei no lenço que escondia seus cabelos.&lt;br /&gt;Assim que pediu licença para se sentar, tirou o lenço da cabeça e revelou seus cabelos curtíssimos. Seus cabelos eram curtos demais, tão curtos que me fizeram lembrar de uma tia minha que havia feito tratamento contra o câncer. Lembrei-me das sessões de quimioterapia da minha tia e como ela voltava acabada depois de cada sessão. Depois de um tempo ela também teve que cortar seus cabelos bem curtinho.&lt;br /&gt;Enquanto a moça se sentava ao meu lado prometi a mim mesmo que não iria encará-la, mas não pude evitar quando a ouvi gemer baixinho.&lt;br /&gt;- Você está bem? - Perguntei. - Precisa de alguma coisa?&lt;br /&gt;Ela virou-se para mim e disse que estava tudo bem, que não era necessário que eu me preocupasse.&lt;br /&gt;Sua voz saiu devagar, com uma leve pausa entre uma palavra e outra, mas toda cheia de ternura.&lt;br /&gt;Abri minha mochila e ofereci a garrafa de água que havia comprado pouco antes de entrar no ônibus.&lt;br /&gt;- Aceite! Ela ainda está fechada! - Insisti. - E se eu tomar não vou mais poder te oferecer.&lt;br /&gt;Mais uma vez ela olhou para mim.&lt;br /&gt;- Nossa! Como ela era linda! - Pensei comigo.&lt;br /&gt;Ela, então, abriu um sorriso lindo, maravilhoso e acabou aceitando a garrafinha de água.&lt;br /&gt;- Posso te falar uma coisa? - Perguntei. - Você ficou super bem com esse corte de cabelo.&lt;br /&gt;Ela sorriu mais uma vez e disse:&lt;br /&gt;- Para falar a verdade, eu também achei!&lt;br /&gt;Acabamos rindo juntos.&lt;br /&gt;Mais alguns minutos e já estávamos conversando como se fôssemos velhos conhecidos.&lt;br /&gt;O tempo passava e o ônibus continuava correndo.&lt;br /&gt;Não me sentia mais cansado e ela, com certeza, também estava diferente de quando entrou no ônibus.&lt;br /&gt;Continuamos conversando e nos divertindo enquanto o ônibus avançava.&lt;br /&gt;Mais alguns minutos e foi a vez dela me perguntar:&lt;br /&gt;- Posso te falar uma coisa? Você tem que prometer que não vai dar risada!&lt;br /&gt;Prometi que não iria rir dela, fosse o que fosse, mas já estava rindo quando respondi.&lt;br /&gt;- Já faz alguns minutos que o ponto da minha casa passou! - Ela disse com a maior naturalidade do mundo e com aquele sorriso encantador nos lábios.&lt;br /&gt;Segurei sua mão e falei:&lt;br /&gt;- Tudo bem! Não conte pra ninguém, mas eu acho que o meu ponto passou antes do teu!&lt;br /&gt;Levantamos e nos preparamos para descer.&lt;br /&gt;Não tinha como saber, mas queria poder acompanhá-la todos os outros dias de sua vida.&lt;br /&gt;O ônibus parou e descemos rindo, um buscando apoio nos braços do outro.&lt;br /&gt;Quem olhasse, pensaria: - Com certeza, estavam bebendo!&lt;br /&gt;Quem olhasse e pensasse dessa maneira talvez não estivesse tão errado assim. A partir daquela dia ela seria meu vício e dela eu iria querer me embriagar todos os dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1868591189330029399-7128489242498674584?l=vivatodavida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivatodavida.blogspot.com/feeds/7128489242498674584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1868591189330029399&amp;postID=7128489242498674584' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/7128489242498674584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1868591189330029399/posts/default/7128489242498674584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivatodavida.blogspot.com/2008/05/vida-no-costuma-avisar-da-mudana-que.html' title='A Vida não costuma avisar da mudança que virá'/><author><name>Charles</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01782647245167848176</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp2.blogger.com/_L_jiIoj22Ns/SB5AZXiFyNI/AAAAAAAAAAM/7R9cV-YWKRc/S220/2007-12-31+Floripa+(73)b.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
