domingo, 8 de março de 2009

A CRISE É SÉRIA

"Artigo jurídico publicado no Jornal A Notícia em 08 de março de 2009."


As bolsas de valores do mundo todo parecem brincar de montanha russa. Um dia sobem, no outro caem. A bolsa brasileira, a Bovespa, tenta não acompanhar o sobe-e-desce, mas não tem obtido resultados muito satisfatórios.

O comportamento das bolsas tem refletido o ânimo e as percepções dos investidores, gerando, em consequência, um efeito cascata nos demais setores da economia. Isso explica as demissões anunciadas em diversas megacompanhias pelo mundo. Explica, também, o cancelamento de investimentos e as interrupções nos processos de fusão e aquisição de empresas.

O momento, portanto, é de cautela.Respaldados nos ensinamentos de outras crises, os governos das principais economias do mundo procuraram agir rapidamente. Os US$ 700 bilhões disponibilizados pelo governo americano para salvar o mercado financeiro não foram uma resposta só para a crise. O objetivo era serenar ânimos e reverter percepções. A União Europeia fez a mesma coisa e, em seguida, a China.

Não só os meios de comunicação, mas os líderes das maiores economias têm comparado a atual crise capitalista, pois não deixa de ser uma crise do capitalismo, com a crise dos anos 30, deflagrada com o crash da bolsa de Nova York, em outubro de 1929.

O crash talvez tenha se transformado na crise dos anos 30 pela demora da resposta do governo americano. Com essa lição em mente, explica-se a postura rápida e decisiva da União Europeia, da China e dos Estados Unidos agora.

O Brasil não pode subestimar a força de uma crise capitalista. Seremos impactados na medida de nossa inserção no comércio mundial e, principalmente, na medida do altíssimo grau de entrelaçamento dos mercados de capitais mundiais.

O sistema financeiro brasileiro é considerado um dos mais evoluídos do planeta. Todos os nossos planos econômicos de combate à inflação acabaram por tornar nossa estrutura financeira, reconhecidamente ágil, sólida e segura. Aprendemos com nossos próprios erros, é verdade. Contudo, a crise se agiganta. Não podemos subestimá-la pela simples razão de que a crise não irá subestimar o Brasil.

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